24/06/2012

Retrospectiva - Desenterrar Vizela (IV)


Original 28/03/2008


(Continuação)Das novas ruas, a novas empresas

O quarto e último trecho deste artigo já foi escrito após as comemorações do décimo aniversário da elevação de Vizela a concelho. Aspecto notável destas comemorações e que realço, foi o empenho da Câmara na publicitação do evento dentro e fora de portas conforme se constatou pelos holofotes dos mais diversos meios de comunicação social de abrangência nacional. Porém, os mesmos meios que mostraram a festa, focaram a nuvem do desemprego que paira sobre este Concelho, a qual atinge o dobro da média nacional.

Sou da opinião que não se deve chorar pelas empresas que encerram. É muito mais proveitoso aplicar as energias a incentivar o aparecimento de novas empresas e novos postos de trabalho. Nesta lógica proponho uma reflexão sobre qual o potencial de Vizela para a criação de novos postos de trabalho.

Começo por tudo quanto foi dito nas três primeiras partes deste artigo. A aposta em equipamentos de carácter cultural, turístico e lazer são uma parte do potencial que esta terra tem. Uma aposta gradual, consistente e sustentada no turismo seria fomentadora de criação de emprego no comércio e nas empresas directamente ligadas ao turismo, como restauração e hotelaria. Já aqui mencionei que Vizela deverá aproveitar a proximidade que tem com Guimarães. Não poucas vezes as unidades hoteleiras da Cidade Berço estão esgotadas, pelo que há que tirar partido disso, mas primeiro têm que ser criados pontos de atractividade. Depois também já aqui foi abordada a reorganização viária e a sua importância no movimento de pessoas que por sua vez traz benefícios ao comércio e por isso também é elemento dinamizador da economia. Por outro lado as vias de acesso principais funcionam como canais de atracção à fixação de empresas.

Vizela à semelhança da região em que se insere vive refém da indústria têxtil e do calçado que de grosso modo são os principais empregadores da região. Há depois alguma indústria gráfica e cartonagem que por sua vez depende da têxtil e do calçado. Do mesmo modo o comércio e serviços dependem da têxtil e do calçado.

Não defendo o abandono da têxtil nem do calçado, mas é prioritário que a indústria vizelense se diversifique para outros sectores e que não sejam dependentes dos anteriores. A dificuldade está em que tipos de empresas criar. A resposta não é fácil porque a mão-de-obra local está formatada para as actividades que na região têm histórico.

A formação é crucial para que a diversificação aconteça. Se olharmos em volta reparamos que a Trofa tem um centro de formação em metalomecânica, Famalicão tem um centro de investigação e formação têxtil conceituadíssimo, Guimarães tem uma escola de engenharia de reputado valor, Santo Tirso entre outros tem uma escola agrícola, Felgueiras tem um centro de formação em calçado e por aí fora. Vizela tem zero em formação profissional para actividades económicas produtivas. É urgente captar a instalação de um centro de formação profissional e investigação ou mesmo um pólo de uma escola superior. A formação e a investigação são a catapulta para novos horizontes e é nesse sentido que Vizela terá que apontar as agulhas.

Há também que considerar as condições para a instalação de novas empresas, desde os terrenos aos acessos, mas também as condições de acolhimento e incentivo das autoridades locais. Um pouco por todo o lado têm nascido incubadoras de empresas e incentivos ao empreendorismo. Vizela não deve ser uma excepção e precisa de começar a preparar um projecto nesta área que permita acolher ideias, fornecer formação em empreendedorismo, liderança e técnicas de gestão, orientar e ajudar na obtenção de crédito ou financiadores de projectos e ajudar com fornecimento de espaços temporários e transitórios a custos reduzidos.

Em suma, tem que existir um conjunto de facilidades e atractivos que permitam a dinamização dos investimentos privados e potenciem as capacidades intelectuais e humanas.
Para finalizar, quero realçar que este conjunto de artigos apenas pretendeu fomentar a discussão sobre o que se pretende que Vizela seja no futuro e atiçar o que é preciso fazer agora para que os objectivos sejam alcançados. As propostas aqui lançadas são ideias, umas minhas, outras que por aí fui colhendo. Claro está que muitas mais e até melhores por aí devem andar. O importante é não menosprezar e saber aproveitar o que de bom cada uma delas tem, venham elas da direita ou da esquerda, de cima ou de baixo
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22/06/2012

Retrospectiva - Desenterrar Vizela (III)


Original em 16/02/2008


Da arqueologia às novas acessibilidades.

(clique na imagem para ampliar)

(Continuação)

A História: parte dela já estará no museu da indústria têxtil, papel e moagem e no museu da luta pela conquista do concelho. Depois, o resto fica espalhado pelas ruas e lugares. Vejamos Tagilde. É uma freguesia que tem muito para oferecer em matéria de passado, diria que o futuro da Tagilde é o passado e é nessa perspectiva que a freguesia se deve posicionar dentro do Concelho. Começando pelo Tratado de Tagilde; é preciso mostrá-lo e isso faz-se intervindo urbanisticamente na envolvente à igreja prevenindo o que resta das características “monásticas”do local, dando também destaque ao padrão comemorativo do tratado assinalando-o convenientemente. Invocar e homenagear no mesmo espaço João Gomes de Oliveira Guimarães, historiador, político e Abade de Tagilde. O turista gosta de se sentir perto das coisas, meter mesmo o nariz onde as coisas aconteceram, o turista gosta de fotografar, é preciso por isso dar-lhe coisas bonitas para fotografar. Partindo depois para Arriconha são dois passos e estamos novamente em lugar de História e histórias. Vale bem mostrar que foi naquele lugar que nasceu S. Gonçalo, que não obstante muitas “trapalhadas” arquitectónicas, ainda mantém alguma da sua graça original. Eis uma oportunidade de meter ordem no lugar, reorganizar, reabilitar, preservar e assinalar. Podem ainda contar-se as lendas de S. Gonçalo em forma de roteiro, marcando um percurso pelos lugares de S. Gonçalo; a capela, o penedo e a fonte. Aproveitando o mesmo roteiro, pode levar-se o visitante a S. Paio.
E o processo repete-se por todas as freguesias até chegar à urbe. Em Vizela é preciso literalmente desenterrar o passado. A Lameira é a alma desta cidade, é para ela que fluí todo o ritmo de Vizela. Neste subsolo encontram-se as principais nascentes termais donde brotou toda uma actividade económica que fez Vizela atingir a vida urbana. É também neste subsolo que está muita da História romana de Vizela e das suas termas. É pois neste ponto que volto ao início do artigo e faço referência à colocação a nu desta arqueologia, pois tal é possível, como é possível conciliá-la com a vida quotidiana. Imagino a criação de estruturas subterrâneas com pontos de entrada de luz com painéis de vidro apropriados para permitir a visualização arqueológica aos transeuntes, mas também permitindo a entrada no interior em caso de visitas guiadas. Por outro lado a circulação do trânsito na praça, não tem necessariamente que se fazer do actual modo e podem encontrar-se alternativas capazes de optimizar ambas as vertentes. É uma questão de imaginação e de pensar a cidade.
Vizela tem um núcleo urbano de início de século XX homogéneo, que, quando requalificado é perfeitamente capaz de mostrar uma cidade arejada e agradável de se ver e viver e acima de tudo, uma cidade capaz de provocar interesse. A requalificação deste património é tarefa árdua, não só por envolver muitos custos, mas também por mexer com interesses particulares. Porém impossível não o é, e o exemplo está ao lado, naquilo que foi possível fazer em Guimarães.
A rua Dr. Abílio Torres precisa de ser devolvida a Vizela, às pessoas, e para isso vai ser necessário dar-lhe um só sentido de trânsito. Essa é uma equação antiga a qual começa a ter solução, mas a qual tem que ser severamente apressada não podendo haver receios a mudanças. Esta rua com um único sentido de trânsito passara a ser a principal artéria comercial, alarga os horizontes e faz a cidade mexer. Pense-se no seguinte, o que me leva a visitar a Guimarães, Braga, Porto ou a qualquer cidade maior do que Vizela? É certamente ter o que ver e por onde passear. Sob esse ponto de vista Vizela leva meia hora a ser percorrida porque rapidamente se acaba o que ver. É interessante observar Vizela num sábado de manhã, é um fervilhar de compras e de gente concentrada entre o mercado, parte baixa da Avenida Abade de Tagilde, Praça da República e Fórum. Tudo o resto são franjas com pessoas apressadas funcionando apenas como pontos de passagem e não como pontos onde se está. A forma de inverter este cenário está de facto na rua Dr. Abílio Torres, a qual com um único sentido de trânsito criaria novos estacionamentos, permitiria alargar passeios e assim criava novos fluxos de pessoas dinamizando também as ruas transversais, Rua Ferreira Caldas, Rua das Termas e Rua Joaquim Pinto, as quais reuniriam condições para também elas serem pólos comerciais. Por outro lado, em consequência do novo fluxo de trânsito outras ruas mais periféricas ganhariam novo valor, vejo nesta situação a Rua Pereira Reis.
Com toda a nova dinâmica, as mais valias conseguidas pela valorização dos imóveis e resultados comerciais tornariam mais fácil a requalificação do património urbano da cidade e nessa ocasião, essa mesma requalificação, passaria também a ser interesse generalizado dos proprietários particulares.
Estando este artigo no domínio dos arruamentos, abordo agora as acessibilidades à cidade porque delas também dependem a boa fluidez no interior. Começo por apontar a falta de uma alternativa de circunvalação a nascente, a qual poderia nascer na Rua de Valdinhão em Santo Adrião, em viaduto a desembocar entre a Rua de Lagoas e a Rua de Frades, seguindo depois por esta até ao cruzamento entre a Avenida Abade de Tagilde e a Rua de S. Bento, fazendo-a entrar de forma mais directa na Rua da Portela, por exemplo através de uma rotunda. Por outro lado, Vizela não sendo uma cidade mal servida em acessibilidades, peca por falta de uma boa ligação ao nó de Revinhade na A11. Em minha opinião, o traçado da Rua de Valmonde, ainda no Concelho de Felgueiras, e Rua do Britelo em Santo Adrião deveria ser alargado e redesenhado até à rotunda de Pousada em Santa Eulália, alargando depois a Rua de Sá até à ponte do mesmo nome, para aí nascer um novo arruamento marginal ao Ribeiro de Sá até à rua da Boca. Aí bifurcaria em direcção à circunvalação nascente e à circunvalação poente. Para além de beneficiar Vizela no acesso ao Porto e vice-versa, nasceria uma alternativa mais curta, para quem vindo de Vila Real pela IP4 pudesse sair pela A11 até Revinhade, utilizando a alternativa por Vizela até à VIM e seguindo depois pela A7 rumo a Vila do Conde. Nessa mesma perspectiva, também beneficiaria Felgueiras e Lousada nos acessos à franja litoral de Vila do Conde. Nos dias de hoje, com a generalização dos equipamentos GPS, os condutores seguem pelos caminhos que lhe são indicados sendo estes programados para encontrar o percurso mais curto. Deste modo Vizela “apareceria no mapa” como ponto de passagem e obviamente beneficiando com isso.
(continua
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17/06/2012

1ª Feira Romana de Vizela - As Fotos

























Local: Vizela, Portugal
Data: 2012
Camera: Canon EOS 1000D


Homenagem à Mãe Dra. Maria do Resgate


Original 18/10/2006


Obrigado Dra. Maria do Resgate

Obrigado Dra. Maria do Resgate Salta pela boa disposição que todos os dias me faz chegar via e-mail. Ainda obrigado pela leitura atenta deste Banhos Quentes

2 comentários:

Resgate Salta disse...
hoje o meu dia não foi muito bom, mas
ao ler os emails que recebi (e já os reencaminhei) fiquei bem disposta.
Realmente, rir é o melhor remédio.
Resgate Salta disse...
Também gosto muito de frequentar o seu blog, pois é didáctico, informativo e divertido.
Espero que o mantenha por muito tempo.