11/06/2012

Retrospectiva - Desenterrar Vizela II



Original 28/01/2008


Vizela em Museu da Indústria Têxtil, Papel e Moagem

(Continuação)

Imagine-se um português de Lisboa (quem diz Lisboa, diz outra terra qualquer), que nunca esteve em Vizela, que apenas a conhece do que vê nos serviços noticiosos. Que vem à cabeça a deste português se alguém lhe perguntar o que sabe acerca de Vizela? Provavelmente que é uma pequena localidade lá para o Minho (se souber isto já é muito) e que travou uma luta imensa para se tornar município. Com alguma sorte poderá saber que é uma terra termal próxima de Guimarães e que tem como especialidade de doçaria o Bolinhol. Faço pois a pergunta: Como é que se cativa este Português a vir a Vizela? Penso que há duas possibilidades; ser um potencial interessado em férias termais, ou então alguém com apetite por conhecer Guimarães. Vizela goza de uma localização periférica à cidade berço e há que tirar partido disso, é preciso publicitar Vizela em Guimarães e convidar os turistas da Cidade vizinha a conhecer Vizela. Esta é seguramente uma oportunidade que se pode e deve aproveitar.

E o que mostrar ao forasteiro? O que é que Vizela tem para mostrar? O S. Bento? Não é suficiente. O Parque? Sim, mas… podia estar melhor. A zona ribeirinha? Está decadente e poluída. A arquitectura das casas dos “torna viagem”? Estão degradadas. As termas? Não parecem gozar de boa saúde. A História? Como é que se mostra a História? A Cultura? Como? Bom, em resumo pouco mais do que nada.

Para mostrar Vizela é preciso “desenterrá-la” porque aqui não temos nada que de imediato desperte a atenção dos mais distraídos. Antes de mais são precisas zonas agradáveis para se estar. Já temos o S. Bento, que apesar de tudo ainda precisa de evoluir. O Parque é uma pérola delicada que necessita ser tratada convenientemente, penso que primeiro é preciso fazer um levantamento do património biológico e do respectivo estado de conservação, para só depois, traçar um projecto de intervenção que o valorize ambientalmente e o coloque ao serviço do lazer, mas também da educação ambiental pois julgo que aqui há potencial para o tornar em centro interpretativo de espécies vegetais (http://banhosquentes.blogspot.com/2006/08/vizela-em-1886.html). A zona ribeirinha é outro espaço que pode ser aproveitado, mas ao contrário de algumas opiniões, sou adepto da conservação da memória industrial e por isso deve manter-se a imagem fabril da margem esquerda entre ambas as pontes, sendo nesse espaço pode ser construído um museu da indústria têxtil, papel e moagem, porque todas estas actividades tiveram o seu lugar nesta região, e todas elas precisaram do rio para a sua existência. Já estou a falar em espaços de cultura, por isso acrescento que a futura biblioteca deverá ser no “Castelo”, aproveitando para a aí também instalar um centro de estudos sobre Vizela e um museu da luta pela conquista do concelho. Seria este um espaço de estudo e cultura por excelência, sendo que, por outro lado é uma oportunidade para trazer vida urbana à margem esquerda. Aproveitando os terrenos do logradouro do edifício ainda se pode precaver a construção de um anfiteatro digno de acolher espectáculos cénicos e musicais.

(Continua)

10/06/2012

Lagoa de Santo André



Local: Lagoa de Santo André, Santiago do Cacém, Portugal
Data: 2012
Camera: Canon EOS 1000D


08/06/2012

Retrospectiva - Desenterrar Vizela I


Original - 24/01/2008


Feira do Milho e da Broa
Há algumas semanas a oposição política vizelense apresentou a proposta para a colocação a nú das estruturas romanas soterradas na Praça da República. A proposta rejeitada pela Câmara Municipal de Vizela foi desconsiderada. São porém posições políticas que não conseguem alcançar o propósito de tal proposta.
Saiba-se que não tenho posição nesta “praça” e que o meu conhecimento desta proposta aconteceu pelos jornais. Fiquei porém satisfeito com tal vontade de dar a conhecer as estruturas romanas. Num texto de 14 de Julho de 1999, colocado num site então designado «Oculis Calidarum» do qual ainda existem “resíduos” em http://br.geocities.com/caldasdevizela/, e mais tarde transcrito para um outro emhttp://homepage.oninet.pt/130mrj/vizela/cidagua.htm, escrevi: «A um canto fica a Bica Quente, que segundo a tradição, quem lá meter o dedo fica em Vizela para sempre, perdendo a oportunidade de se valorizar como "logótipo" da cidade. A par disto a Praça está completamente descaracterizada. O cimento contrasta com a sua alcunha de Lameira. É também sabido que neste local se centrava a actividade romana, por aqui se encontrar um grande número de fontes de água quente. A título de exemplo aponto a rua dos Caquinhos em Guimarães, onde para preservar umas condutas subterrâneas, se colocaram placas transparentes, de maneira que quem lá passa possa aprecie o interior das condutas, sem que ao mesmo tempo as danifique.»
Vizela está morta, falta-lhe vida própria e excluindo um ou dois meses de verão nas ruas desta cidade, ou há reformados, ou desempregados. Por outro lado o turismo em Vizela resume-se ao programa Turismo Sénior do Inatel, muito menos há gente das cidades vizinhas a passear aqui. Isto é sério e as poucas empresas que restam não têm capacidade de expansão para absorver tal cenário.
Estou convencido de que a aposta no turismo não é a panaceia para os problemas de Vizela, será no entanto um bom remédio para desinfectar a ferida e muito melhor para auto-estima e ego dos vizelenses. Em dez anos de emancipação apenas consigo encontrar um passo decidido rumo a esse propósito; o investimento em S. Bento das Peras; no entanto este de forma isolada não vale nada e economicamente para a cidade é o mesmo que zero. À parte o turismo de areia e bananeiras, este pensa-se como um todo; História, Cultura, Gastronomia, Ambiente e Recursos Naturais, Diversão e Actividades Económicas. Que seja do conhecimento público esse trabalho está por fazer, já não digo a sua colocação no terreno, digo a criação da estratégia e a definição de objectivos.
Nesta época natalícia que findou foi montada, no Jardim Manuel Faria, uma tenda com produtos artesanais e a mesma incluída num roteiro turístico. Segundo os jornais, os artesãos lá representados não esconderam alguma frustração pela pouca receptividade. Entre outras falhas na montagem do evento faço referência a duas que conduziram ao insucesso no que diz respeito à vinda de forasteiros. A mostra não tinha dimensão nem genuinidade. Os produtos expostos são os mesmos que se podem encontrar em qualquer região do país, pois de intrínseco à cultura da terra nada se podia ver e mais importante do que isso, se a mensagem chegou fora, os potenciais visitantes nela não esperavam encontrar nada que já não tivessem na sua terra. Porque é que todos os anos a Feira do Fumeiro em Montalegre arrasta meio país, ou as feiras de artesanato e gastronomia de Vila do Conde são uma referência nacional? A primeira pela genuinidade e as segundas pela dimensão.
No que diz respeito a genuinidade, as noites de desfolhada que todos os anos se realizam na Praça da República, são um bom exemplo, mas acontecem sem contexto e por isso não são convenientemente exploradas. Imagine-se o evento integrado numa «Feira do Milho e da Broa» em que o elemento central fosse todo o processo produtivo da broa de milho, desde os campos ao forno explorando depois a variante do bolo com sardinhas. Traga-se também a Feira do Burro que se realiza em Tagilde e já temos a componente da moagem. Depois poder-se-ia explorar todo um outro conjunto de temas satélites que combinam com a broa de milho à mesa, o vinho verde e a gastronomia. O artesanato mais intrinsecamente ligado à lavoura teria aqui lugar e assim se incluía a cestaria e homenageavam-se os extintos, mas afamados, Arados de Vizela. O contexto de um evento deste género teria força suficiente para atrair multidões e economicamente seria produtivo. Isto faz sentido porque estamos inseridos numa região com tradições na broa de milho e bolo com sardinhas.

(Continua)

15/04/2012

Entre Rochas


Local: Caxinas, Vila do Conde, Portugal
Data: 2012
Camera: Canon EOS 1000D