
30/09/2006
Ponte das Taboas
Continuando a falar de pontes, aproveito para referenciar a Ponte das Taboas, ou Ponte Velha como agora é conhecida. Esta ponte situa-se um pouco mais a jusante da já referida Ponte Nova.
De novo, segundo Oliveira Guimarães (ano de 1894):
«A segunda de madeira, situada a poente e quasi no extremo da freguezia, denomina-se a Ponte Velha e já existia no seculo XIV, e quem sabe desde quando com a denominação de Ponte das Taboas, pois em 5 de Junho de 1352 o cabido de Guimarães tomou posse d’um casal junto aos paços de Lourosa, que chama de Ponte das Taboas, pertencentes a Ruy Vasques Pereira na freguezia de Santo Adrião, para onde a dita ponte dá passagem.
O tombo da freguesia de Santo Adrião de Vizella, feito em 1548, chama a esta ponte as pinguelas de Lamellas.»
A ponte continuou a ser de madeira quase até aos dias de hoje, porque na verdade só por volta de 1975 é que o tabuleiro de tábuas, foi substituído por um de tijolo e cimento. A Ponte Velha liga Tagilde a Santo Adrião, mas durante muitos anos serviu quase exclusivamente os moradores de Lagoas para as suas deslocações à igreja. No tempo invernoso a ponte não oferecia condições de segurança, e frequentemente as águas do Vizela cobriam as tábuas, pelo que a reconversão de madeira para cimento ficou a dever-se à vontade e ao trabalho do povo de Lagoas, Santo Adrião e da Ponte Velha, Tagilde, os quais lançaram mão a uma empreitada popular e a transformaram na ponte que ainda hoje é: Uma ponte assente em toscos pilares de pedra e com um estreito tabuleiro no qual não é possível cruzar um carro com uma pessoa a pé, e construído com os mesmos materiais com que se constroem as placas das casas, cimento, abobadilhas de tijolo e vigas. O gradeamento só em meados dos anos 80 é que foi colocado. Até aos anos 90, a ponte não era servida por estrada pelo que só era atravessada a pé e pelo tractor da Quinta da Ponte Velha, a qual tem campos em ambos os lados do rio
Os Paços de Lourosa referenciados no documento de 1352 eram no século XIX denominados de Paço Velho. Tratava-se de uma casa nobre da família dos Riba-Vizela a qual já existiria nos princípios da monarquia. Oliveira Guimarães em 1894 diz que do Paço Velho apenas existem algumas pedras dispersas, que têm sido aproveitadas pelos vizinhos, pelo que nos dias de hoje não devem existir vestígios da dita casa, a não ser essas pedras que por lá devem andar a servir de suporte a outras construções.
Existe outro documento de 1737, uma sentença do tribunal da relação do Porto, que obrigava o concerto da referida ponte, pelos moradores de Tagilde, até ao primeiro olhal. Esta sentença foi resultado de uma acção intentada pelo rendeiro das penas de Guimarães que queria obrigar os moradores de Tagilde a concertar a ponte até ao meio do rio. O primeiro olhal, será o primeiro pilar que está antes de meio do rio. Esta sentença, digo eu, terá sido atribuída em função da maior utilização da ponte pelos moradores de Santo Adrião.
De novo, segundo Oliveira Guimarães (ano de 1894):
«A segunda de madeira, situada a poente e quasi no extremo da freguezia, denomina-se a Ponte Velha e já existia no seculo XIV, e quem sabe desde quando com a denominação de Ponte das Taboas, pois em 5 de Junho de 1352 o cabido de Guimarães tomou posse d’um casal junto aos paços de Lourosa, que chama de Ponte das Taboas, pertencentes a Ruy Vasques Pereira na freguezia de Santo Adrião, para onde a dita ponte dá passagem.
O tombo da freguesia de Santo Adrião de Vizella, feito em 1548, chama a esta ponte as pinguelas de Lamellas.»
A ponte continuou a ser de madeira quase até aos dias de hoje, porque na verdade só por volta de 1975 é que o tabuleiro de tábuas, foi substituído por um de tijolo e cimento. A Ponte Velha liga Tagilde a Santo Adrião, mas durante muitos anos serviu quase exclusivamente os moradores de Lagoas para as suas deslocações à igreja. No tempo invernoso a ponte não oferecia condições de segurança, e frequentemente as águas do Vizela cobriam as tábuas, pelo que a reconversão de madeira para cimento ficou a dever-se à vontade e ao trabalho do povo de Lagoas, Santo Adrião e da Ponte Velha, Tagilde, os quais lançaram mão a uma empreitada popular e a transformaram na ponte que ainda hoje é: Uma ponte assente em toscos pilares de pedra e com um estreito tabuleiro no qual não é possível cruzar um carro com uma pessoa a pé, e construído com os mesmos materiais com que se constroem as placas das casas, cimento, abobadilhas de tijolo e vigas. O gradeamento só em meados dos anos 80 é que foi colocado. Até aos anos 90, a ponte não era servida por estrada pelo que só era atravessada a pé e pelo tractor da Quinta da Ponte Velha, a qual tem campos em ambos os lados do rio
Os Paços de Lourosa referenciados no documento de 1352 eram no século XIX denominados de Paço Velho. Tratava-se de uma casa nobre da família dos Riba-Vizela a qual já existiria nos princípios da monarquia. Oliveira Guimarães em 1894 diz que do Paço Velho apenas existem algumas pedras dispersas, que têm sido aproveitadas pelos vizinhos, pelo que nos dias de hoje não devem existir vestígios da dita casa, a não ser essas pedras que por lá devem andar a servir de suporte a outras construções.
Existe outro documento de 1737, uma sentença do tribunal da relação do Porto, que obrigava o concerto da referida ponte, pelos moradores de Tagilde, até ao primeiro olhal. Esta sentença foi resultado de uma acção intentada pelo rendeiro das penas de Guimarães que queria obrigar os moradores de Tagilde a concertar a ponte até ao meio do rio. O primeiro olhal, será o primeiro pilar que está antes de meio do rio. Esta sentença, digo eu, terá sido atribuída em função da maior utilização da ponte pelos moradores de Santo Adrião.
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Registos Históricos,
Vizela
29/09/2006
Ponte Nova - Tagilde
Segundo Oliveira de Guimarães (ano de 1894):
«de pedra com três acrcos, solidamente construída, é denominada a Ponte Nova, e está situada quasi no centro da linha nascente-poente d'esta freguezia, dando passagem para um casal e alguma terras d'esta parochia, sita além do rio e para a freguezia de Santo Adrião de Vizella.
Ignora-se a data de cosntrução d'esta ponte. Torquato Peixoto d'Azevedo, que escreveu em 1692, não a menciona nas Memórias rescucitadas da antiga Guimarães, relacionando algumas de menor importância, o que nos deveria convencer da sua não existência n'esta época se este escriptor fosse digno de inteiro credito. Nos articulados d'uma sentença, de que abaixo fallamos escriptos em 1735, faz-se uma menção d'ella; não conheçemos indicação mais remota.»
Por este documento, não se conclui nada de significativo quanto ao seu ano de construção, apenas que a mesma já existia em 1735.
Do que me parece e não tendo conhecimento de outros documentos, a Ponte Nova não terá muitos mais anos do que os que vão de 1735 até à data. A sua construção apesar de recorrer a técnicas de engenharia romanas (os arcos), será mais recente. A ponte romana de Vizela e a ponte romana de Serzedo apresentam um piso com grandes pedras em forma de paralelepípedos, o que é comum nas construções rodoviárias romanas. A Ponte Nova porém tinha um piso com pequenas pedras ao estilo de calceta portuguesa. Este tipo de piso é em tudo semelhante às que se encontram mais adiante, após a ponte de Nabainhos e estão classificadas como pontes medievais. Também são construídas com recurso a arcos romanos. Estou por isso convencido de que a Ponte Nova será da mesma época.
Assim a Ponte Nova não será romana mas sim medieval, embora com recurso a técnicas de construção romanas.
«de pedra com três acrcos, solidamente construída, é denominada a Ponte Nova, e está situada quasi no centro da linha nascente-poente d'esta freguezia, dando passagem para um casal e alguma terras d'esta parochia, sita além do rio e para a freguezia de Santo Adrião de Vizella.
Ignora-se a data de cosntrução d'esta ponte. Torquato Peixoto d'Azevedo, que escreveu em 1692, não a menciona nas Memórias rescucitadas da antiga Guimarães, relacionando algumas de menor importância, o que nos deveria convencer da sua não existência n'esta época se este escriptor fosse digno de inteiro credito. Nos articulados d'uma sentença, de que abaixo fallamos escriptos em 1735, faz-se uma menção d'ella; não conheçemos indicação mais remota.»
Por este documento, não se conclui nada de significativo quanto ao seu ano de construção, apenas que a mesma já existia em 1735.
Do que me parece e não tendo conhecimento de outros documentos, a Ponte Nova não terá muitos mais anos do que os que vão de 1735 até à data. A sua construção apesar de recorrer a técnicas de engenharia romanas (os arcos), será mais recente. A ponte romana de Vizela e a ponte romana de Serzedo apresentam um piso com grandes pedras em forma de paralelepípedos, o que é comum nas construções rodoviárias romanas. A Ponte Nova porém tinha um piso com pequenas pedras ao estilo de calceta portuguesa. Este tipo de piso é em tudo semelhante às que se encontram mais adiante, após a ponte de Nabainhos e estão classificadas como pontes medievais. Também são construídas com recurso a arcos romanos. Estou por isso convencido de que a Ponte Nova será da mesma época.
Assim a Ponte Nova não será romana mas sim medieval, embora com recurso a técnicas de construção romanas.
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