22/06/2017

Vizela 2038 (Parte I)

As próximas eleições autárquicas em Vizela serão um marco decisivo na vida deste município, e não o são pelas cambalhotas das candidaturas, mas antes porque logo no arranque do próximo mandato cumprem-se 20 anos da elevação de Vizela a sede de município. São 20 anos de vida própria, tempo suficiente para que filhos da terra tenham nascido e se transformado em gente adulta, por isso é tempo de balanço e de projetar os próximos 20 anos. E que balanço é este que se faz? Na certeza de que muitos se farão, e que não será incomum cada cabeça sua sentença, tentarei fazê-lo com clareza objetiva. 



Nestes 20 anos a cidade de Vizela ganhou uma circular poente, uma renovação da linha férrea e novo arruamento paralelo à linha, construiu-se o Fórum Vizela e sua envolvente com uma nova rua entre a GNR e este empreendimento, também a nova rua Amália Rodrigues, ganhou novos centros escolares, um mercado, um espaço polivalente para realização da feiras e espetáculos, uma zona de lazer e manutenção ribeirinha, renovação de alguns passeios e ruas e umas quantas rotundas para melhorar a circulação.  É também justo mencionar a renovação paisagística de S. Bento das Peras, a criação de emprego municipal e próprio edifício sede do município. Saindo da cidade, excluindo restauros de igrejas, zona de lazer entre Tagilde e S. Paio, renovação da rua do Lamarão em Santa Eulália e alguns equipamentos desportivos pouco mais haverá a reportar. Mas uma terra não se faz apenas de obras, faz-se também de cultura e eventos, sejam festas populares, desporto ou outros de carácter mais cultural. Nestes 20 anos Vizela viu as suas festas da cidade ganhar projeção e dimensão, viu nascer e morrer uma feira de artesanato, ganhou um novo evento  que ainda pode ter muito a oferecer, a feira Romana 

Ainda antes de passar à análise, tema a tema, é importante salientar dois factos: Primeiro que Vizela enquanto município criado em 1998 viu o seu desenvolvimento travado, sem margem para dúvida, por uma crise económica nacional que apareceu em força em 2008 mas que já se desenhava muito antes. Segundo, as obras e eventos de referência executados já sob administração do Município de Vizela, foram no essencial idealizados e, ou projetados ainda  sob administração do Município de Guimarães ou de iniciativa de outras associações ou empresas que não o município de Vizela o que infelizmente revela pouca iniciativa e arrojo, é o caso da circular poente idealizadas pela câmara de Guimarães, das acessibilidades norte que aconteceram por intervenção da REFER na linha de Guimarães, a renovação do Santuário de São Bento por iniciativa e risco da confraria que administra o espaço, a zona do Fórum Vizela por iniciativa da Imobilasa e consequentes contrapartidas que revertem para o benefício público, o mesmo do novo parque ribeirinho que resulta de contrapartidas públicas pela urbanização do Poço Quente. Também os dois eventos mais significativos, as Festas da Cidade e a Feira Romana são iniciativa da Comissão de Festas. Em suma, o que de mais importante aconteceu em Vizela para mudar o estilo de vida nestes 20 anos, não aconteceu por iniciativa e estratégia municipal mas porque outras entidades deram um passo à frente.  

O concelho de Vizela, localizado entre os vales do Ave e do Sousa, é por assim dizer uma porta do litoral para o interior, tem ligação rápida ao Porto e ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, seja pela A7 e A3, seja pela A11 e A42, como também pela ligação de comboio . O acesso a Braga é também hoje fácil pela A11 e de igual modo as praias de Vila do Conde e Póvoa de Varzim estão a 30 minutos pela A7. Tem bons acessos para o interior, nomeadamente para Chaves e Vila Real. Vizela está pois perto do Porto, segunda maior cidade do país, um centro empresarial e comercial e cidade internacionalmente na moda onde o turismo e as dormidas de estrangeiros crescem vertiginosamente todos os anos. Vizela está perto de Braga, capital de distrito, uma das maiores e mais jovem cidade do país, um centro empresarial, capital portuguesa das tecnologias de informação e sede de uma universidade conceituada. Vizela é vizinha de Guimarães, uma cidade de terceira linha, que é hoje um exemplo nacional em captação de turismo, recuperação urbanística e está na rota dos grandes eventos culturais do país, é ainda altamente industrializada e tem uma escola superior de engenharia. Finalmente Vizela está a cerca de 3 horas de grandes capitais europeias como Paris, Londres, Bruxelas, Berlim e Madrid via aeroporto Francisco Sá Carneiro.  

Esta localização central e de facilidade de acessos, contrasta com a mobilidade dentro de portas e torna Vizela numa ilha. Com o nó da A11 localizado em Revinhade, Vizela beneficiou de um acesso a esta autoestrada sem a parte má, que é num concelho tão pequeno ver parte do seu território esventrado por um nó, contudo herdou um problema que ainda não soube resolver que é a ligação ao centro da cidade. Quem vem de Braga e se oriente exclusivamente pelas indicações na autoestrada, e vem ter a Vizela por Revinhade, para além de fazer muito mais quilómetros em comparação com a saída em Guimarães, desemboca num ermo que causa graves problemas à imagem que o visitantes fazem de Vizela, pois  a sensação é a de se estar chegar a uma pequena vila do interior do país, com a diferença de que regra geral as condições da estrada de acesso a essas terras não raras vezes são bem melhores. Seria útil para os vizelenses que as administrações da autarquia revelassem quantas vezes  e de  que forma intercederam na homóloga de Felgueiras para encontrar um entendimento. Já ouvir falar de interpolações ao governo central, mas será a melhor via? Por outro lado o traçado do acesso dentro de portas já está bem definido? 

(Continua: http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-ii.html)

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