27/02/2011

Ponte das Taboas


Local: Vizela, Portugal
Data: 2011
Camera: Canon EOS 1000D



Post recuperado de Banhos Quentes 


Continuando a falar de pontes, aproveito para referenciar a Ponte das Taboas, ou Ponte Velha como agora é conhecida. Esta ponte situa-se um pouco mais a jusante da já referida Ponte Nova.

De novo, segundo Oliveira Guimarães (ano de 1894):

«A segunda de madeira, situada a poente e quasi no extremo da freguezia, denomina-se a Ponte Velha e já existia no seculo XIV, e quem sabe desde quando com a denominação de Ponte das Taboas, pois em 5 de Junho de 1352 o cabido de Guimarães tomou posse d’um casal junto aos paços de Lourosa, que chama de Ponte das Taboas, pertencentes a Ruy Vasques Pereira na freguezia de Santo Adrião, para onde a dita ponte dá passagem.

O tombo da freguesia de Santo Adrião de Vizella, feito em 1548, chama a esta ponte as pinguelas de Lamellas.»

A ponte continuou a ser de madeira quase até aos dias de hoje, porque na verdade só por volta de 1975 é que o tabuleiro de tábuas, foi substituído por um de tijolo e cimento. A Ponte Velha liga Tagilde a Santo Adrião, mas durante muitos anos serviu quase exclusivamente os moradores de Lagoas para as suas deslocações à igreja. No tempo invernoso a ponte não oferecia condições de segurança, e frequentemente as águas do Vizela cobriam as tábuas, pelo que a reconversão de madeira para cimento ficou a dever-se à vontade e ao trabalho do povo de Lagoas, Santo Adrião e da Ponte Velha, Tagilde, os quais lançaram mão a uma empreitada popular e a transformaram na ponte que ainda hoje é: Uma ponte assente em toscos pilares de pedra e com um estreito tabuleiro no qual não é possível cruzar um carro com uma pessoa a pé, e construído com os mesmos materiais com que se constroem as placas das casas, cimento, abobadilhas de tijolo e vigas. O gradeamento só em meados dos anos 80 é que foi colocado. Até aos anos 90, a ponte não era servida por estrada pelo que só era atravessada a pé e pelo tractor da Quinta da Ponte Velha, a qual tem campos em ambos os lados do rio

Os Paços de Lourosa referenciados no documento de 1352 eram no século XIX denominados de Paço Velho. Tratava-se de uma casa nobre da família dos Riba-Vizela a qual já existiria nos princípios da monarquia. Oliveira Guimarães em 1894 diz que do Paço Velho apenas existem algumas pedras dispersas, que têm sido aproveitadas pelos vizinhos, pelo que nos dias de hoje não devem existir vestígios da dita casa, a não ser essas pedras que por lá devem andar a servir de suporte a outras construções.

Existe outro documento de 1737, uma sentença do tribunal da relação do Porto, que obrigava o concerto da referida ponte, pelos moradores de Tagilde, até ao primeiro olhal. Esta sentença foi resultado de uma acção intentada pelo rendeiro das penas de Guimarães que queria obrigar os moradores de Tagilde a concertar a ponte até ao meio do rio. O primeiro olhal, será o primeiro pilar que está antes de meio do rio. Esta sentença, digo eu, terá sido atribuída em função da maior utilização da ponte pelos moradores de Santo Adrião.

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