20/07/2010

A Reestruturação do Sector Industrial e Agrícola Português

Segundo dados do INE o tecido empresarial português 99,7% das empresas são PME's as quais absorvem 75% da mão de obra, sendo que destas PME's 85% têm menos de 10 trabalhadores.

Estes poucos dados indicam que Portugal é um país de pequenas e micro-empresas. Em Lisboa a classe política que julga viver num "reino de princesas" fala continuamente na necessidade das nossas empresas exportarem, exportarem e exportarem para o equilíbrio da balança comercial portuguesa e reduzir o endividamento externo. Tudo muito certo porque isso é verdade mas não nos podemos envergonhar da nossa realidade, de uma realidade de pequenas empresas muitas vezes mal preparadas para o mercado. E depois que empresas são estas? Industrias agrícolas ou de Serviços?

Para equilibrar a balança comercial ou se exporta mais, ou se importa menos e Portugal precisa em primeiro lugar de importar menos; importar menos bens agrícolas, pescados, têxteis, madeiras e derivados, energia,  produtos alimentares transformados, metalomecânica e maquinaria industrial. Do meu ponto de vista este é o primeiro passo para a reabilitação económica nacional, provocar a procura interna de produtos nacionais pois estas nunca serão capazes de enfrentar o mercado internacional se não conseguirem sequer singrar no mercado nacional. Por isso qualquer micro-empresa industrial ou agrícola merece ser PIN e estar na linha da frente das prioridades governativas.

Portugal precisa de um plano rápido, descomplicado e eficiente para o desenvolvimento do tecido produtivo português. O nosso país gasta rios de dinheiro em formações profissionais teóricas que não raras vezes não servem para absolutamente nada. Fazem falta formações técnicas a pensar no sector produtivo industrial e agrícola que formem mão-de-obra, serralheiros, torneiros, tecelões, costureiras, agricultores, marceneiros, electrotécnicos... Também é preciso colocar à disposição das micro-empresas um conjunto de serviços gratuitos ou pelo menos a baixo custo de consultadoria para ajuda à gestão e organização, ajuda ao marketing, ajuda ao desenvolvimento do produto e dos processos produtivos. As Universidades de engenharia e ciências económicas existem, consomem recursos e devem ter por missão não apenas formar pessoas mas também empresas, por isso elas devem estar ao dispor das micro-empresas e compete ao Governo fazer esse encontro.

Para reestruturar o tecido produtivo e agrícola nacional  não é preciso mais dinheiro, é tão somente preciso gastar bem o dinheiro que hoje é mal gasto.      

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