14/02/2009

Não Dormimos com Putinistas


In Jornal de Notícias
Quinze jovens do movimento juvenil da oposição "Nós" manifestaram-se este sábado no centro de Moscovo contra a política dos actuais dirigentes russos, apelando às restantes jovens e mulheres russas que recusem fazer sexo com namorados e maridos que apoiem Vladimir Putin e Dmitri Medvedev.
"Ou eu, ou Putin!", "O lugar de Medvedev (apelido do Presidente russo que significa urso) não é a cama!", "Não dormimos com putinistas!", lia-se em cartazes transportados pelas jovens.
"São poucas, mas o impacto está ser grande! Trata-se de uma iniciativa original", declarou à Lusa Roman Dobrokhotov, dirigente da organização "Nós".
"Já distribuímos todos os emblemas onde estava escrito 'Não dormimos com putinistas!', eram mais de trezentos. Até os polícias que mantêm a ordem pediram emblemas para oferecer às namoradas e esposas", acrescentou Dobrokhotov.
De súbito, do local onde se realizava a manifestação aproximou-se um grupo de jovens mulheres empunhando balões cor-de-rosa e um cartaz onde se lia: "Putin é o homem dos nossos sonhos!", mas a polícia aconselhou-as a dispersar porque esse ajuntamento não tinha sido autorizado pelas autoridades.
"Há tantos anos que andamos na política e esta é a primeira vez que a polícia não cria problemas à oposição. Não pedimos autorização para realizar a nossa manifestação, mas cumprimos o que está previsto na Constituição e informamos as autoridades do que estávamos a organizar", explicou Dobrokhotov à Lusa, acrescentando que o grupo de apoio a Putin foi aconselhado a retirar-se, porque não tinha avisado a polícia.
Segundo o dirigente da organização juvenil, esta mudança de atitude da polícia deve-se aos contactos estabelecidos entre as autoridades e a oposição.
"Reunimo-nos com os chefes da polícia de Moscovo recentemente e explicámos que a Constituição não exige que a oposição peça autorização para se manifestar, mas apenas que comunique. Foi o que fizemos este sábado e tudo correu muito bem", afirmou.
Romam Dobrokhot recordou que as jovens foram buscar a ideia da manifestação à comédia Lisístrata, escrita pelo grego Aristófanes em 411 a.C. Na época em que foi escrita, Atenas atravessava um período difícil da sua história. Abandonados pelos seus aliados, os atenienses tinham ao redor das muralhas da sua cidade as tropas de Esparta. Essa luta fratricida enfraquecia a Grécia, pondo-a à mercê dos Persas e Medos.
A peça de Aristófanes faz uma crítica severa a essa guerra, envolvendo as mulheres das cidades gregas na Guerra do Peloponeso, lideradas pela ateniense Lisístrata, que decidem instituir uma greve de sexo até que seus maridos parem a luta e estabeleçam a paz. No final, graças às mulheres, as duas cidades celebram a paz.
Só a natureza não ajudou esta e outras manifestações de protesto realizadas em Moscovo. Um forte nevão entupiu completamente o trânsito na capital russa.

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