03/11/2008

O caso BPN



O caso BPN em particular e todos os acontecimentos recentes do sistema bancário internacional em geral têm dado razões para comentários de várias ordens. Preocupa-me porém uma certa irresponsabilidade política que chega de vários quadrantes e que defende que se as instituições visadas são privadas os diversos Estados não as devem assumir.

Perante um qualquer problema deve olhar-se para ele com discernimento e objectividade. Este caso deve ser dissecado como faria um investigador num laboratório. Pergunto qual o pior impacto para o país; se perderem-se as poupanças de milhares de portugueses, ou o Estado, através da Caixa Geral de Depósitos, assumir temporariamente o défice do banco podendo num espaço de 5 ou 6 anos vender os activos do BPN e recuperar, possivelmente com mais valias, o actual investimento?

Há porém lições e responsabilidades a apurar. Em primeiro lugar o caso BPN é transversal aos governos PSD e PS, depois o Banco de Portugal falhou na supervisão e por isso o seu presidente deve assumir a responsabilidade colocando o seu cargo à disposição. É também importante saber se não foi o caso de extorsão e chantagem ao BPN que despertou o Banco de Portugal para estas irregularidades o que a ser verdadade demonstra que todos os organismos estavam a "comer sono". Finalmente os administradores do BPN que cometeram as irregulariadades devem ser chamados a tribunal para apurar eventuais responsabilidades criminais.

O BPN é um banco pequeno e facilmente integrado na Caixa Geral de Depósitos, no entanto tenho dúvidas que se algo de semelhante acontecer com o BCP exista capacidade financeira para assumir a sua gestão. Aí sim Portugal terá algo de muito grave entre mãos.

Por fim este precedente deve ficar registado na memória política e estratégica do país porque de futuro os cidadãos podem reclamar igual tratamento a outras empresas na falência, o que na minha opinião não é de descartar. Há muito tempo que defendo que o Estado deve assumir parcerias com privados, ou mesmo assumir a totalidade da posição em áreas estratégicas para a economia onde não haja capacidade financeira ou saber fazer suficiente para assumir o risco no sector privado.

2 comentários:

Andreia do Flautim disse...

Se há irregularidades, os responsáveis do banco deviam responder por isso!

Albin disse...

Sobre o assunto em epígrafe, de onde consta o escândalo do BPN, e sobre o qual se tem omitido a aquisicão de uma coleccão de "arqueologia", pela anterior direccão desse banco, pela quantia de cinco milhões de euros, recomenda-se a sua consulta no Fórum Arqueologia, na seccão Conversa Geral, nos tópicos em discussão na actualidade, "Contrafaccão e contrabando de objectos ditos arqueológicos"; "Década de noventa - época de vandalismo e saques organizados"; e "Polícia espanhola".

Atenciosamente os nossos cumprimentos.