21/09/2008

Mercado das explicações cresce e já abrange “franchising” de multinacionais

In Jornal Público

O mercado das explicações representa em Portugal um fenómeno comercial em crescimento, com o explicador doméstico a perder terreno para os cada vez mais numerosos centros de explicações, muitos deles “franchising” de multinacionais.

Esta é uma das conclusões de um projecto de investigação sobre este mercado que está a ser desenvolvido desde 2000 por três investigadores da Universidade Aveiro. Quando Jorge Adelino Costa, António Neto-Mendes e Alexandre Ventura começaram a investigação, explicam, ainda de forma exploratória, estavam longe de perceber a dimensão nacional e internacional do fenómeno.

O estudo permitiu ver que o mercado das explicações é um fenómeno à escala mundial e que nalguns países movimenta milhões de euros, como é o caso de França. São asseguradas por professores ou estudantes que desejam obter um rendimento extra.

Por outro lado, em países com uma situação económica difícil ou onde a profissão de professor não é muito valorizada o recurso às explicações constitui uma forma de os professores assegurarem a sua sobrevivência.

Por outro lado, a falta de vagas nas escolas alterou o percurso de muitos dos docentes recém-formados. Agora a carreira inicia-se frequentemente num centro de explicações e não tanto nas escolas.

Professores em início de carreira optam por dar explicações

Os professores em início de carreira que não encontram colocação no sistema escolar optam pelas explicações para fazerem face ao desemprego e simultaneamente não se desligarem da sua área do saber.

Esta tendência parece ser vista por alguns professores como uma oportunidade de negócio e leva-os a abrir os seus próprios centros de explicações, tornando-se desta maneira trabalhadores independentes e dedicando-se exclusivamente a esta actividade.

Segundo o estudo dos investigadores da Universidade de Aveiro, o desemprego e o factor económico são, obviamente, os motivos que levam os professores a dedicarem-se a esta actividade.

Contudo, a partir de uma determinada altura surge também como justificação de que é uma opção profissional, uma escolha de carreira sem alunos certos a cada início do ano lectivo.

“Normalmente, os alunos começam a chegar em Novembro ou no final do primeiro período, quando as notas dos testes são negativas”, explicou Paula Fernandes, professora de matemática que se dedica a esta actividade há cerca de dez anos, onde se iniciou porque não conseguia colocação numa escola pública.

Comentários:

Anonima - Lisboa
Eu sou professora e sei que os bons alunos procuram explicações, pois nas aulas, devido à escola inclusiva, não conseguem aprender, porque os alunos desestabilizadores não deixam e eles vêem-se apertados e procuram explicações. Isto aconteceu na minha escola. Uma mãe veio-me perguntar se achava bem colocá-lo num explicador e eu disse-lhe que os encarregados de educação deveriam exigir do Ministério uma educação de qualidade. E a culpa nãp é dos professores, é destes que querem a todo o custo, a ministra e o engenheiro, mantê-los na escola, quando quem não quer estudar dveria ir trabalhar, pois na escola anda a perder tempo. Esta é que é a realidade.

Manuel Martins - Luanda Angola

De facto a hipocrisia é a maior virtude dos portugueses. Explicações sempre houve e em grande escala. Eu estou com 56 anos e sempre tive explicações de matemática e física na década de 60. Aliás, na província era normal haver explicações com os nossos professores que cobravam pouco mas cobravam. Lembro-me bem do ritual de fazer as provas dos anos anteriores antes dos exames nos explicadores e não nas escolas. Afinal negócio é negócio seja no ensino seja noutra área. Em boa verdade, aprendi muito nas explicações e atesto que os professores eram muito mais dedicados do que na escola. Afinal qual é o mal...

Alef - Oes UE

Claro que na situacao actual quem pode poe os filhos numa escola privada de qualidade. O PM e um bom exemplo: o colegio alemao custa cerca de 2000 euros/mes por crianca mas oferece educacao de qualidade. Claro que e um sistema de ensino diferente e aposto que as condicoes de trabalho dos professores tambem sao diferentes. Seria interessante o PUBLICO investigar um pouco...O que faz esta escola ser uma escola de qualidade? Quais sao as diferencas entre o sistema alemao e o portugues? Que outros sistemas de ensino existem em Portugal? Seria interessante analisar detalhadamente as diferencas...

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