14/09/2006

Interesse Público


Já não se joga futebol a feijões! O futebol é profissional e envolve muito, mas muito dinheiro. Até o futebol dos clubes de aldeia envolve quantias consideráveis. Há uns anos atrás, alguns clubes transformaram-se e SAD’s e passaram a estar cotados em bolsa, teoricamente, regendo-se por regras empresariais rígidas, nas quais é suposto haver transparência e rigor na gestão, mas que por outro lado obrigaria os clubes a uma organização e gestão mais profissional e abriria novas oportunidades de financiamento. Os adeptos passaram a poder investir nos seus clubes também com objectivos de retorno financeiro.

O futebol, além de dinheiro, gera emoções capazes de condicionar um dia de trabalho de muitos adeptos.

Por tudo isto, o futebol é incontestavelmente um interesse nacional e não concordo com alguns intelectuais que não vêm no futebol qualquer interesse público. Por isso a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) teve legitimidade em usar esse argumento para tentar sentenciar o Gil Vicente, embora eu esteja inclinado a dar razão ao Gil Vicente, mas sobre isso já transmiti a minha opinião num post anterior. Assim sendo a corrupção no mundo do futebol não é apenas do interesse desportivo, mas do interesse público e este julga-se em tribunais civis e por juízes do tribunal civil.

Agora, que o constitucionalista Gomes Canotilho declara que o caso “Apito Dourado” pode ser anulado por inconstitucionalidade da actual lei de corrupção desportiva, a ver vamos se a FPF vai invocar o interesse público para tentar a não anulação do processo em curso nos tribunais.

E mais grave é que anda gente desta metida na política! E o ministério público não pode ele interceder declarando o interesse público?

2 comentários:

miguel disse...

Altos interesses publicos!
Mas o futebol é um sistema muito promiscuo ...!

Bjks da matilde

Mª do Resgate disse...

Realmente o crime, por vezes, compensa.