28/06/2017

Vizela 2038 (última parte)

Um desafio último é o de que o próximo presidente de câmara eleito, no dia seguinte às eleições convide os opositores a sentarem-se à mesa para elaboração de um plano estratégico a 20 anos 

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(anterior: http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-iv.html)

O centro da cidade de Vizela, precisa de uma cara lavada, precisa de vida, enfim, precisa de ser arejado. O centro de Vizela possui conjuntos de casas de fim do século XIX, princípios do século XX que são bonitos e que representam o tempo do grande crescimento de Vizela como estância de férias e veraneio termal. Essa história deve ser trazida à tona começando pela recuperação das fachadas. Os imóveis são privados e a sua reabilitação é responsabilidade primeira dos seus proprietários, contudo quando o desinteresse impera por falta de rendimento as entidades autárquicas tem o dever de mobilizar esforços de reanimação, até porque o interesse é geral, é da comunidade e da autarquia. O perigo de uma pequena cidade como Vizela é, o de mantendo-se parada, vai sendo sufocada dia após dia pelas cidades vizinhas, em especial as de maior dimensão. Deixa de haver renovação de comércio, deixa de haver renovação urbana porque todos os interesses privados se deslocam no sentido do movimento das pessoas, para fora. A CMV tem por isso a obrigação de ser um motor para inverter o caminho e no que à reabilitação do centro urbano diz respeito, deve ser colocado em marcha um programa que, por exemplo, permita aos proprietários aceder  a um sistema de compras em grupo de materiais de construção e serviços, eventualmente colaborando também com logística própria e oferta de serviços de arquitetura e engenharia civil do próprio município de maneira a reduzir os custos de recuperação e assim cativar os proprietários a fazê-lo.  

24/06/2017

Vizela 2038 (parte IV)

(Anterior http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-ii_22.html)

Em Vizela nem só as pessoas saem para trabalhar, divertir-se ou ir às compras, as empresas também saem são vários os exemplos de empresas industriais nascidas em Vizela e que para crescer tiveram que  deslocar-se para concelhos vizinhos. O parque industrial é tema desde a criação do concelho de Vizela, mas em 20 anos ainda é ficção, contudo estou convencido que ele não vai ser a solução para travar a deslocalização de empresas industriais até porque agrandes unidades industriais  facilmente ocupam a área de um parque das dimensões  que Vizela é capaz de comportar. Vizela é um concelho pequeno inserido numa região maioritariamente rural mas de grande densidade habitacional e acresce ser atravessado pelo rio Vizela, o que gera dificuldades em fazer coexistir novos terrenos com vocação habitacional, novos terrenos com vocação industrial e compatibilizar com terrenos agrícolas e florestais. Não há muito por onde esticar, ou se sacrificam as áreas agrícolas e florestais ou não haverá muito mais por onde instalar grandes unidades industriais. Eu defendo que Vizela deve preservar com todas as forças as áreas afetas à natureza e à agricultura, deve promover um bom ordenamento do território e do seu parque habitacional, deixá-lo crescer, se necessário em altura precisamente para que não se promova uma ocupação desmesurada de terrenos. Ainda assim a economia tem que funcionar e é necessário que existam boas e sólidas empresas instaladas em Vizela porque hoje, aquilo que aqui temos são meia dúzia delas com presença nacional e internacional forte, o que já é bom mas insuficiente para a empregabilidade da população, e depois existe todo um conjunto de pequenas empresas que subsistem de subcontratação e o comércio que como já falamos vive dias muito débeis.  



22/06/2017

Vizela 2038 (Parte III)

(Anterior http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-ii.html)

As mesmas acessibilidades que colocam Vizela no país e no mundo, são as mesmas que retiram a população para trabalhar noutras regiões e também para compras e diversão em centros urbanos maiores. Este movimento é inevitável nas comunidades pequenas, é uma tendência social da vida moderna procurar meios urbanos maiores e por isso é preciso encarar isso como um facto , mas ao mesmo tempo é preciso procurar dinâmicas que num balanço do tipo deve e haver haja tendência a encontrar um ponto de equilíbrio sob pena de uma cada vez maior debilidade do comércio local. Vizela tem de saber encontrar atrativos que incentivem os vizelenses e vizinhos a disfrutar de momentos de lazer e compras dentro dportas. É evidente que o trabalho não pode ser exclusivo da Câmara Municipal, mas é claro que também tem de ser dos principais interessados, os comerciantes. Em todo o caso é compreensível que o comércio, que com muita dificuldade se mantém aberto, não esteja disponível para fazer investimentos e por isso a autarquia precisa de incentivar dinâmicas de renovação.  

Há dias enquanto olhava para o campo de ténis, fechado, junto ao mercado um grupo de jovens jogava à bola no espaço multiusos utilizando as barracas, normalmente usadas nas feiras de artesanato, a servirem de balizas, dei conta de que no centro de Vizela não há um ringue de futebol de acesso público, não há um campo de basquete, não há um parque de skate e patinagem, não há uma parede de escalada...  Dou aqui o exemplo de Ribeira de Pena, município de um profundo interior e que tem um excelente complexo para desporto de lazer, com piscinas, campos de futebol, campos de ténis, campos de basquete, parques infantis e amplas zonas relvadas, com acesso a preços meramente simbólicos. De ausência de infraestrutura em ausência de infraestrutura os vizelenses, em especial as camadas mais jovens, desacreditam-se da sua terra. 
É básico que a primeira regra seja a existência de infraestruturas para que a população mais jovem possa ter salutares momentos de lazer e diversão. Depois são necessários eventos que prendam as pessoas à terra, que as façam orgulhar-se e que tragam também gente de fora. Vizela precisa de pelo menos 4 grandes e marcantes eventos anuais. Já há dois, as festas da cidade e a feira romana. Precisa de mais um entre Outubro e Novembro e outro entre Fevereiro e Março. É preciso procurar temas, já em alguns momentos referi que em Vizela há espaço para um grande evento gastronómico centrado no fabrico tradicional de broa de milho e bolo com sardinhas ou carne; a feira da "Broa de Milho e do Bolo". Em sequência deveria ser criado o roteiro das padarias com fabrico de broa de milho tipo artesanal em folha de couve e também o roteiro dos restaurantes e tabernas que o usem na sua forma essencial ou como ingrediente nos pratos que confeccionam, assim como do fabrico de bolo com sardinhas e carne. Há depois toda uma série de pratos que daqui podem emergir uma vez que a broa de milho é hoje usada na cozinha para criar texturas e paladares crocantes. Os restaurantes de Vizela têm fama e tradição além portas, é por isso de justiça a promoção de um grande festival deste género.  

O quarto evento deveria ser dirigido às expressões artísticas, música, literatura, representação, pintura, fotografia, morais, etc... não um festival erudito mas antes voltado para o artista que cada cidadão é capaz de ser, um festival de artes para amadores e artes de rua.  

O comércio tem que acompanhar os eventos e por isso os seus horários devem ser adequados a estes acontecimentos, por exemplo, seria normal, como o é em outras cidades que o comércio estivesse aberto nas noites e fim de semana da feira romana, do mesmo modo se adequasse ao movimento das massas nas festas da cidade e não se limitasse a reclamar pelas barracas que tapam as montras, só assim estes eventos podem reverter não apenas para a restauração mas para todo o comércio em geral. Por outro lado o comércio em Vizela é pouco diversificado, o que até é normal pela sua dimensão, mas há autarquias por exemplo que já estão a criar espaços com rendas simbólicas para instalação de projetos de comércio alternativos, ajudando a resolver o problema das rendas desfasadas com a realidade comercial local. Um outro projeto que poderia ajudar a melhorar a realidade comercial de Vizela seria uma espécie de Vizela Comércio Digital, um projeto coletivo para venda online  permitindo ao comércio local "exportar" para outras localidades. É preciso estar ciente de que a tendência do comércio online é para crescer e Portugal ainda está muito atrás daquilo que já acontece em outros países porém deverá dar o salto quando a geração dos atuais adolescentes ganharem poder de compra. 

(Continua http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-iv.html)

Vizela 2038 (Parte II)

(anteriror: http://mirandablogue.blogspot.pt/2017/06/vizela-2038-parte-i.html)

No que à mobilidade dentro da cidade diz respeito, é também necessário resolver algumas questões, salta aos olhos de imediato o congestionamento da rotunda dos bombeiros e da rua Joaquim Pinto. Eu acredito que a solução definitiva passa pela criação de uma circular nascente, daí que também se possa questionar se o projeto para a mesma já existe? Certamente não há financiamento se não existir um projeto solidamente elaborado para apresentar aos canais que concentram os recursos. Enquanto a circular nascente não avança, não se pode ficar paradohá soluções mais baratas que podem ser implementadas. Por exemplo, para descongestionar a rotunda dos bombeiros é necessário em primeiro lugar retirar a importância geográfica que a mesma tem, ou seja desviar parte do tráfego. Começar por retirar o trânsito de ligeiros provenientes de Infias para Felgueiras o que pode ser feito através da recém terminada alternativa à EN106 "convidando" os automobilistas a usá-la desviando-se depois para estrada de Lagoas, isso faz-se adequando a sinalização, ou seja no início desta via, na rotunda de Infias, quem vem do cruzamento dos fundos deveria encontrar sinalização a indicar Felgueiras (exclusivo a ligeiros) a apontar para a nova via e depois adequar toda a sinalização ao longo do percurso até os conduzir à N101-3, do mesmo modo na rotunda de Infias deveria constar a indicação de Vizela centro. Esta opção para Felgueiras deixaria de estar limitada a ligeiros quando for construída a ponte alternativa à Ponte Nove de Tagilde.  
Feito isto, a solução para a rotunda dos bombeiros é a sua eliminação, ou seja dar primazia ao trânsito no eixo principal e permitir exclusivamente viragens à direita, assim quem vem de Moreira fica obrigado a virar em direção à rotunda do Lidl, se pretender virar para Infias terá de inverter a marcha nesta rotunda, quem vem da estação apenas pode seguir em frente ou virar em direção a Moreira, ficando assim impedido de virar para o centro pela Avenida dos Bombeiros, se o pretender fazer, já o devia ter feito na rotunda em direção ao Túnel da Cor ou seguir pelo Castelo, ou ainda  inverter na rotunda do Lidl sendo depois possível sair à direita para a Avenida dos Bombeiros. Quem pretender sair da rua Francisco Costa apenas deverá poder virar à direita e descer a Avenida dos Bombeiros, também para entrar na rua Francisco Costa só deverá ser possível a quem suba a Avenida dos Bombeiros ou a quem venha da rotunda do Lidl. A únicas permissão para virar à esquerda deverá ser a de quem suba a Avenida dos Bombeiros e queira virar para a rotunda do Lidl. Já quem subir a Avenida dos Bombeiros e pretender seguir para Moreira, deverá virar à direita e só depois à esquerda pela rua da Rechã e rua José Ribeiro Ferreira. Nesta manobra não faz sentido falar em pesados. O esquema de circulação fica mais complicado, mas a regra de apenas permitir virar à direita é usada na maioria das grandes cidades para facilitar a fluidez de trânsito.